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    Segurança alimentar: por quê é importante e qual o papel do coop

    A pandemia de Covid-19 causou impactos profundos em relação à fragilidade social e desaceleração da atividade econômica, de forma a afetar diretamente a vida de muitas pessoas. Assim, uma das principais faces dos efeitos provocados pelas consequências da pandemia foi o aumento da insegurança alimentar ao redor do mundo. Com a expectativa de retomada econômica em 2022 após dois anos de recessão, a esperança era de recuperação dos níveis de segurança alimentar. Entretanto, em muitos países, essas previsões não se concretizaram. A pressão inflacionária e até mesmo a guerra na Ucrânia impediram avanços significativos nessa questão. Diante disso, traduzir o aumento do Produto Interno Bruto em ganhos referentes à segurança alimentar representa um enorme desafio a ser enfrentado por grande parte do planeta. Nações mais pobres, com baixos rendimentos e acesso precário a serviços essenciais, continuam tendo as populações mais afetadas. Com isso, a fome e a desnutrição crescem. Neste artigo, vamos entender o panorama global da segurança alimentar, mostrar o cenário brasileiro e explicar como o cooperativismo agropecuário atua para enfrentar a fome. Aproveite a leitura! O que é segurança alimentar A insegurança alimentar ocorre quando, devido a contextos geográficos, econômicos e sociais não há o acesso adequado à alimentação capaz de atender às necessidades nutritivas. A definição é da Food and Agriculture Organization (FAO), braço da Organização das Nações Unidades focada no combate à fome. Dessa maneira, a insegurança alimentar pode decorrer tanto da indisponibilidade dos alimentos quanto da falta de recursos para a obtenção de comida. Ou seja, tanto a cadeia produtiva e logística quanto a pobreza estão intrinsecamente ligadas à insegurança alimentar. Além disso, a insegurança alimentar pode existir em diferentes níveis. A FAO possui uma escala que classifica o grau de severidade da insegurança alimentar. As camadas são as seguintes: Incerteza em relação à capacidade de obter comida (entre estado de segurança alimentar e moderada condição de insegurança) Abrindo mão de qualidade e variedade na comida (insegurança alimentar moderada) Reduzindo a quantidade de comida e pulando refeições (insegurança alimentar moderada) Sem acesso a refeições por um dia ou mais (insegurança alimentar severa) O panorama da insegurança alimentar De acordo com o relatório da FAO sobre o estado segurança alimentar e da nutrição no mundo, a estimativa é de que entre 702 e 828 milhões de pessoas foram afetadas pela fome em 2021.  O número cresceu cerca de 150 milhões desde o início da pandemia: mais 103 milhões de pessoas entre 2019 e 2020 e mais 46 milhões em 2021. O documento também enfatizou que o novo aumento da fome em 2021 reflete a desigualdade em relação à retomada econômica entre os países. O continente que liderou a fome, por exemplo, foi a Ásia, que concentra mais da metade das pessoas que vivenciaram essa situação. América do Norte e Europa somadas, por outro lado, registraram 5 milhões de pessoas em situação de fome. No mais, a subnutrição está em tendência de alta. Estima-se que cerca de 670 milhões de pessoas estarão em subnutrição em 2030, o que representa 8% da população mundial. Ao todo, por volta de 2,3 bilhões de pessoas vivem em situação de insegurança alimentar moderada ou severa - quantia equivalente a 30% da população mundial. Insegurança alimentar também é questão de gênero A desigualdade de gênero na insegurança alimentar – que havia crescido em 2020 sob o efeito da pandemia – alargou-se ainda mais em 2021. Isso aconteceu, em grande parte, pelas crescentes diferenças na América Latina e Caribe, bem como na Ásia. Para se ter uma ideia, em 2021, a diferença atingiu 4,3 pontos percentuais, com 31,9% das mulheres no mundo sendo moderada ou severamente afetadas pela fome e desnutrição. Em contrapartida, comparativamente, 27,6% dos homens estiveram na mesma situação. Efeitos da pandemia de Covid-19 O crescimento da segurança alimentar durante os anos de maior impacto da pandemia de Covid-19 não é fruto do acaso. O baque econômico causado pela disseminação da doença prejudicou em países mais pobres que estão com dificuldades maiores para alcançar a recuperação e retomar o crescimento. Ademais, a pandemia prejudicou as cadeias de suprimento, aumentando os custos de produção e logística dos alimentos. Soma-se a isso o crescimento do desemprego, redução da renda e ausência de uma rede de suporte social para grande parte da população mundial como causas que relacionam a Covid-19 à insegurança alimentar. Impactos da guerra na Ucrânia O contexto geopolítico também está interferindo no estado da segurança alimentar. O conflito entre Rússia e Ucrânia, duas das mais importantes produtoras de commodities, prejudica a oferta de alimentos em âmbito global. Antes da crise, os dois países juntos forneceram 30% e 20% da exportação de trigo e milho, respectivamente, por exemplo. E não é só isso: eles também representaram cerca de 80% das exportações globais de produtos de sementes de girassol. Assim, somando todos esses fatores, as interrupções nas exportações agrícolas causadas pela guerra na Ucrânia expuseram os mercados globais de alimentos e fertilizantes a escassez e alta de preços. Esses déficits de exportação elevaram os já altos preços mundiais de commodities alimentares. Consequentemente, a guerra na Ucrânia está sobrecarregando uma crise multifatorial, que envolve alimentos, energia e finanças, com impactos devastadores sobre as pessoas e países mais vulneráveis. O papel da mudança climática A Organização Meteorológica Mundial (OMM) revelou que os últimos oito anos podem ter sido os mais quentes já registrados. O fenômenos da mudança climática pode ser mais um elemento que impacta negativamente a segurança alimentar e nutricional. Consequências do aquecimento global como e temperaturas muito altas, ocorrência de desertificação, estresse hídrico e outros processos decorrentes afetam o acesso à alimentação. Ou seja, o acesso regular e permanente aos alimentos, tanto no que diz respeito à quantidade quanto à qualidade, tanto em áreas urbanas quanto no campo. O verão de 2022 no Hemisfério Norte deixa evidente como as dificuldades com as questões climáticas podem afetar os agricultores e todo o ecossistema. A Europa, por exemplo, enfrentou uma das piores secas dos últimos cinco séculos, responsável por prejudicar as safras por todo o continente. China e Estados Unidos foram outras potenciais que sentiram os efeitos deletérios das alterações climáticas em suas produções devido às secas e altas temperaturas. Não é por acaso que a cadeia produtiva de alimentos foi assunto da COP27.  A insegurança alimentar no Brasil Dados da FAO indicam que, no Brasil, Entre 2014 e 2016, por exemplo, a insegurança alimentar atingiu 37,5 milhões de pessoas, dentre os quais quase 4 milhões estavam na condição mais grave. Esses números evidenciam uma piora alarmante no país. Em que mais de 60 milhões de pessoas sofreram com a insegurança alimentar entre 2019 e 2021. Dentre esses, mais de 15 milhões de brasileiros vivenciaram a insegurança alimentar no estágio severo. O papel do agro no combate à insegurança alimentar O setor agropecuário brasileiro se destaca dos demais por sua resiliência em períodos de crise econômica e financeira - fenômeno ainda mais evidenciado durante a pandemia. Dessa forma, o segmento lidera e protagoniza ações em prol da inovação e da sustentabilidade, dando suporte à segurança alimentar no Brasil e no mundo. Um bom exemplo da capacidade de produção do agro brasileiro é a produtividade das safras de grãos. Atualmente, o Brasil é responsável por 40% da produção da soja de todo o mundo,  proporcionando mais de 140 milhões de toneladas da commodity. O país também se destaca na produção de suco de laranja, pois é responsável por 69% de toda a produção global. Em 2020 e 2021, o PIB do agronegócio alcançou recordes sucessivos. Entretanto, em 2022, o PIB do setor recuou nos dois primeiros trimestres, devido às reduções de margem na cadeia agropecuária frente aos aumentos de custos e redução dos preços das commodities agrícolas. Ainda assim, o agronegócio segue compondo mais de um quarto do PIB brasileiro. Cooperativismo como protagonista O cooperativismo agropecuário brasileiro é peça-chave para proporcionar segurança alimentar. através da reunião e organização de produtores rurais para fortalecer o poder de escala e a atuação no mercado, as cooperativas agropecuárias atuando em todos os elos da cadeia do agronegócio, de insumos até comercialização, passando pela industrialização, armazenagem e produção. Além de fortalecer o caráter socioeconômico no campo, apoiando os produtores rurais  e o meio em que estão inseridos, as cooperativas do Ramo promovem o bem-estar alimentar da sociedade como um todo. A análise econômica sobre os desafios para a segurança alimentar elenca cinco frentes de atuação do coop nesse sentido: Originação: fomento à tecnologia, assistência técnica e extensão rural (cerca de 9 mil técnicos); Agroindustrialização: agregação de valor e maior controle de qualidade dos produtos; Insumos: acesso a semenstes, mudas, fertilizantes, defensivos, rações e demais insumos; Armazenagem: extensa capacidade de armazenagem (acima de 25% em todo o Brasil); Comercialização: acesso a mercado e redução de assimetrias. Atualmente, ao todo, o cooperativismo agropecuário conta com mais de 1 milhão de produtores rurais cooperados no país distribuídos em 1.170 cooperativas.  O coop na cesta básica A importância das cooperativas agropecuárias é evidenciada pela participação que elas têm na originação dos produtos que compõem a cesta básica. A oferta de arroz, feijão, carne, legumes, ovos, leite e café, para citar somente alguns produtos, conta com uma enorme participação do cooperativismo. As cooperativas são responsáveis por aproximadamente de 53% da safra brasileira de grãos, com presença relevante em importantes cadeias produtivas. Além disso, elas promovem a capilaridade em redes produtivas de fruticultura, horticultura e demais cadeias de origem vegetal e animal. Confira a participação das cooperativas agropecuárias na segurança alimentar a partir da proporção delas na produção de elementos centrais da cesta básica: Trigo: 75% Café: 55% Milho: 53% Soja: 52% Suínos: 50% Leite: 46% Feijão: 43% Desafios e tendências para o cooperativismo agropecuário Diante de tamanha importância que o cooperativismo brasileiro agropecuário tem para a segurança alimentar não só brasileira, mas também global, uma série de desafios se impõem. Listamos, portanto,alguns pontos de atenção para o desenvolvimento do Ramo. Veja: Produtividade: com o aumento constante da demanda por alimentos a produtividade é o grande desafio do campo. Para isso, o agro está adotando novas técnicas e tecnologias de forma a otimizar a produção de alimentos. Competitividade: o cooperativismo agropecuário brasileiro também deve se manter forte enquanto modelo de negócios, para que possa competir tanto no mercado interno quanto nas exportações, retornando em prosperidade econômica, social e ambiental para os cooperados. Infraestrutura e conectividade: o campo está passando por uma transformação digital importante, e o cooperativismo precisa estar na vanguarda desse processo. O potencial da inteligência artificial, da internet 5G e da robótica autônoma, por exemplo, é grande e pode contribuir com a produtividade e a competitividade. A boa notícia é que as cooperativas estão inovando e aderindo às novas soluções tecnológicas. Crescimento sustentável: o cooperativismo precisa seguir crescendo enquanto negócio e se adaptando às realidades econômicas e mercadológicas, mas sem deixar de lado seus princípios e propósitos democráticos e sustentáveis. Agenda ESG: por mais que o ESG esteja presente no DNA do cooperativismo, ele está se tornando cada vez mais relevante nos negócios. O campo enfrenta uma série de desafios em relação à agenda ESG, sobretudo em relação ao seu impacto ambiental, porém sem abrir mão do caráter social e econômico, que engloba a segurança alimentar. Diante dessa miríade de desafios, o cooperativismo agropecuário desponta como um ator cada vez mais forte e importante no cenário de segurança alimentar.  Conclusão Em um contexto global onde o enfrentamento à insegurança alimentar é prioridade, o cooperativismo agropecuário brasileiro cumpre um papel fundamental. O aumento da fome e da desnutrição é um problema multifatorial potencializado pela pandemia. Sendo assim, a produção de alimentos representa um ponto central nas estratégias de enfrentamento à insegurança alimentar. A partir desse cenário, um grande espaço se abre para que as cooperativas agropecuárias brasileiras possam ocupar cada vez mais o mercado de forma qualificada. Tudo isso enquanto atuam focada nas exigências e padrões globais a exemplo da rastreabilidade, eficiência e sustentabilidade da produção.

    Inteligência de Mercado

    03/11/2022

    Mercado Internacional

    27/10/2022

    Intercooperação

    20/10/2022
    Inteligência de Mercado 21/11/2022
    Segurança alimentar: por quê é importante e qual o papel do coop

    A pandemia de Covid-19 causou impactos profundos em relação à fragilidade social e desaceleração da atividade econômica, de forma a afetar diretamente a vida de muitas pessoas. Assim, uma das principais faces dos efeitos provocados pelas consequências da pandemia foi o aumento da insegurança alimentar ao redor do mundo. Com a expectativa de retomada econômica em 2022 após dois anos de recessão, a esperança era de recuperação dos níveis de segurança alimentar. Entretanto, em muitos países, essas previsões não se concretizaram. A pressão inflacionária e até mesmo a guerra na Ucrânia impediram avanços significativos nessa questão. Diante disso, traduzir o aumento do Produto Interno Bruto em ganhos referentes à segurança alimentar representa um enorme desafio a ser enfrentado por grande parte do planeta. Nações mais pobres, com baixos rendimentos e acesso precário a serviços essenciais, continuam tendo as populações mais afetadas. Com isso, a fome e a desnutrição crescem. Neste artigo, vamos entender o panorama global da segurança alimentar, mostrar o cenário brasileiro e explicar como o cooperativismo agropecuário atua para enfrentar a fome. Aproveite a leitura! O que é segurança alimentar A insegurança alimentar ocorre quando, devido a contextos geográficos, econômicos e sociais não há o acesso adequado à alimentação capaz de atender às necessidades nutritivas. A definição é da Food and Agriculture Organization (FAO), braço da Organização das Nações Unidades focada no combate à fome. Dessa maneira, a insegurança alimentar pode decorrer tanto da indisponibilidade dos alimentos quanto da falta de recursos para a obtenção de comida. Ou seja, tanto a cadeia produtiva e logística quanto a pobreza estão intrinsecamente ligadas à insegurança alimentar. Além disso, a insegurança alimentar pode existir em diferentes níveis. A FAO possui uma escala que classifica o grau de severidade da insegurança alimentar. As camadas são as seguintes: Incerteza em relação à capacidade de obter comida (entre estado de segurança alimentar e moderada condição de insegurança) Abrindo mão de qualidade e variedade na comida (insegurança alimentar moderada) Reduzindo a quantidade de comida e pulando refeições (insegurança alimentar moderada) Sem acesso a refeições por um dia ou mais (insegurança alimentar severa) O panorama da insegurança alimentar De acordo com o relatório da FAO sobre o estado segurança alimentar e da nutrição no mundo, a estimativa é de que entre 702 e 828 milhões de pessoas foram afetadas pela fome em 2021.  O número cresceu cerca de 150 milhões desde o início da pandemia: mais 103 milhões de pessoas entre 2019 e 2020 e mais 46 milhões em 2021. O documento também enfatizou que o novo aumento da fome em 2021 reflete a desigualdade em relação à retomada econômica entre os países. O continente que liderou a fome, por exemplo, foi a Ásia, que concentra mais da metade das pessoas que vivenciaram essa situação. América do Norte e Europa somadas, por outro lado, registraram 5 milhões de pessoas em situação de fome. No mais, a subnutrição está em tendência de alta. Estima-se que cerca de 670 milhões de pessoas estarão em subnutrição em 2030, o que representa 8% da população mundial. Ao todo, por volta de 2,3 bilhões de pessoas vivem em situação de insegurança alimentar moderada ou severa - quantia equivalente a 30% da população mundial. Insegurança alimentar também é questão de gênero A desigualdade de gênero na insegurança alimentar – que havia crescido em 2020 sob o efeito da pandemia – alargou-se ainda mais em 2021. Isso aconteceu, em grande parte, pelas crescentes diferenças na América Latina e Caribe, bem como na Ásia. Para se ter uma ideia, em 2021, a diferença atingiu 4,3 pontos percentuais, com 31,9% das mulheres no mundo sendo moderada ou severamente afetadas pela fome e desnutrição. Em contrapartida, comparativamente, 27,6% dos homens estiveram na mesma situação. Efeitos da pandemia de Covid-19 O crescimento da segurança alimentar durante os anos de maior impacto da pandemia de Covid-19 não é fruto do acaso. O baque econômico causado pela disseminação da doença prejudicou em países mais pobres que estão com dificuldades maiores para alcançar a recuperação e retomar o crescimento. Ademais, a pandemia prejudicou as cadeias de suprimento, aumentando os custos de produção e logística dos alimentos. Soma-se a isso o crescimento do desemprego, redução da renda e ausência de uma rede de suporte social para grande parte da população mundial como causas que relacionam a Covid-19 à insegurança alimentar. Impactos da guerra na Ucrânia O contexto geopolítico também está interferindo no estado da segurança alimentar. O conflito entre Rússia e Ucrânia, duas das mais importantes produtoras de commodities, prejudica a oferta de alimentos em âmbito global. Antes da crise, os dois países juntos forneceram 30% e 20% da exportação de trigo e milho, respectivamente, por exemplo. E não é só isso: eles também representaram cerca de 80% das exportações globais de produtos de sementes de girassol. Assim, somando todos esses fatores, as interrupções nas exportações agrícolas causadas pela guerra na Ucrânia expuseram os mercados globais de alimentos e fertilizantes a escassez e alta de preços. Esses déficits de exportação elevaram os já altos preços mundiais de commodities alimentares. Consequentemente, a guerra na Ucrânia está sobrecarregando uma crise multifatorial, que envolve alimentos, energia e finanças, com impactos devastadores sobre as pessoas e países mais vulneráveis. O papel da mudança climática A Organização Meteorológica Mundial (OMM) revelou que os últimos oito anos podem ter sido os mais quentes já registrados. O fenômenos da mudança climática pode ser mais um elemento que impacta negativamente a segurança alimentar e nutricional. Consequências do aquecimento global como e temperaturas muito altas, ocorrência de desertificação, estresse hídrico e outros processos decorrentes afetam o acesso à alimentação. Ou seja, o acesso regular e permanente aos alimentos, tanto no que diz respeito à quantidade quanto à qualidade, tanto em áreas urbanas quanto no campo. O verão de 2022 no Hemisfério Norte deixa evidente como as dificuldades com as questões climáticas podem afetar os agricultores e todo o ecossistema. A Europa, por exemplo, enfrentou uma das piores secas dos últimos cinco séculos, responsável por prejudicar as safras por todo o continente. China e Estados Unidos foram outras potenciais que sentiram os efeitos deletérios das alterações climáticas em suas produções devido às secas e altas temperaturas. Não é por acaso que a cadeia produtiva de alimentos foi assunto da COP27.  A insegurança alimentar no Brasil Dados da FAO indicam que, no Brasil, Entre 2014 e 2016, por exemplo, a insegurança alimentar atingiu 37,5 milhões de pessoas, dentre os quais quase 4 milhões estavam na condição mais grave. Esses números evidenciam uma piora alarmante no país. Em que mais de 60 milhões de pessoas sofreram com a insegurança alimentar entre 2019 e 2021. Dentre esses, mais de 15 milhões de brasileiros vivenciaram a insegurança alimentar no estágio severo. O papel do agro no combate à insegurança alimentar O setor agropecuário brasileiro se destaca dos demais por sua resiliência em períodos de crise econômica e financeira - fenômeno ainda mais evidenciado durante a pandemia. Dessa forma, o segmento lidera e protagoniza ações em prol da inovação e da sustentabilidade, dando suporte à segurança alimentar no Brasil e no mundo. Um bom exemplo da capacidade de produção do agro brasileiro é a produtividade das safras de grãos. Atualmente, o Brasil é responsável por 40% da produção da soja de todo o mundo,  proporcionando mais de 140 milhões de toneladas da commodity. O país também se destaca na produção de suco de laranja, pois é responsável por 69% de toda a produção global. Em 2020 e 2021, o PIB do agronegócio alcançou recordes sucessivos. Entretanto, em 2022, o PIB do setor recuou nos dois primeiros trimestres, devido às reduções de margem na cadeia agropecuária frente aos aumentos de custos e redução dos preços das commodities agrícolas. Ainda assim, o agronegócio segue compondo mais de um quarto do PIB brasileiro. Cooperativismo como protagonista O cooperativismo agropecuário brasileiro é peça-chave para proporcionar segurança alimentar. através da reunião e organização de produtores rurais para fortalecer o poder de escala e a atuação no mercado, as cooperativas agropecuárias atuando em todos os elos da cadeia do agronegócio, de insumos até comercialização, passando pela industrialização, armazenagem e produção. Além de fortalecer o caráter socioeconômico no campo, apoiando os produtores rurais  e o meio em que estão inseridos, as cooperativas do Ramo promovem o bem-estar alimentar da sociedade como um todo. A análise econômica sobre os desafios para a segurança alimentar elenca cinco frentes de atuação do coop nesse sentido: Originação: fomento à tecnologia, assistência técnica e extensão rural (cerca de 9 mil técnicos); Agroindustrialização: agregação de valor e maior controle de qualidade dos produtos; Insumos: acesso a semenstes, mudas, fertilizantes, defensivos, rações e demais insumos; Armazenagem: extensa capacidade de armazenagem (acima de 25% em todo o Brasil); Comercialização: acesso a mercado e redução de assimetrias. Atualmente, ao todo, o cooperativismo agropecuário conta com mais de 1 milhão de produtores rurais cooperados no país distribuídos em 1.170 cooperativas.  O coop na cesta básica A importância das cooperativas agropecuárias é evidenciada pela participação que elas têm na originação dos produtos que compõem a cesta básica. A oferta de arroz, feijão, carne, legumes, ovos, leite e café, para citar somente alguns produtos, conta com uma enorme participação do cooperativismo. As cooperativas são responsáveis por aproximadamente de 53% da safra brasileira de grãos, com presença relevante em importantes cadeias produtivas. Além disso, elas promovem a capilaridade em redes produtivas de fruticultura, horticultura e demais cadeias de origem vegetal e animal. Confira a participação das cooperativas agropecuárias na segurança alimentar a partir da proporção delas na produção de elementos centrais da cesta básica: Trigo: 75% Café: 55% Milho: 53% Soja: 52% Suínos: 50% Leite: 46% Feijão: 43% Desafios e tendências para o cooperativismo agropecuário Diante de tamanha importância que o cooperativismo brasileiro agropecuário tem para a segurança alimentar não só brasileira, mas também global, uma série de desafios se impõem. Listamos, portanto,alguns pontos de atenção para o desenvolvimento do Ramo. Veja: Produtividade: com o aumento constante da demanda por alimentos a produtividade é o grande desafio do campo. Para isso, o agro está adotando novas técnicas e tecnologias de forma a otimizar a produção de alimentos. Competitividade: o cooperativismo agropecuário brasileiro também deve se manter forte enquanto modelo de negócios, para que possa competir tanto no mercado interno quanto nas exportações, retornando em prosperidade econômica, social e ambiental para os cooperados. Infraestrutura e conectividade: o campo está passando por uma transformação digital importante, e o cooperativismo precisa estar na vanguarda desse processo. O potencial da inteligência artificial, da internet 5G e da robótica autônoma, por exemplo, é grande e pode contribuir com a produtividade e a competitividade. A boa notícia é que as cooperativas estão inovando e aderindo às novas soluções tecnológicas. Crescimento sustentável: o cooperativismo precisa seguir crescendo enquanto negócio e se adaptando às realidades econômicas e mercadológicas, mas sem deixar de lado seus princípios e propósitos democráticos e sustentáveis. Agenda ESG: por mais que o ESG esteja presente no DNA do cooperativismo, ele está se tornando cada vez mais relevante nos negócios. O campo enfrenta uma série de desafios em relação à agenda ESG, sobretudo em relação ao seu impacto ambiental, porém sem abrir mão do caráter social e econômico, que engloba a segurança alimentar. Diante dessa miríade de desafios, o cooperativismo agropecuário desponta como um ator cada vez mais forte e importante no cenário de segurança alimentar.  Conclusão Em um contexto global onde o enfrentamento à insegurança alimentar é prioridade, o cooperativismo agropecuário brasileiro cumpre um papel fundamental. O aumento da fome e da desnutrição é um problema multifatorial potencializado pela pandemia. Sendo assim, a produção de alimentos representa um ponto central nas estratégias de enfrentamento à insegurança alimentar. A partir desse cenário, um grande espaço se abre para que as cooperativas agropecuárias brasileiras possam ocupar cada vez mais o mercado de forma qualificada. Tudo isso enquanto atuam focada nas exigências e padrões globais a exemplo da rastreabilidade, eficiência e sustentabilidade da produção.

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    Mercado Nacional 11/11/2022
    COP27: mudanças climáticas, energias renováveis e desmatamento em foco

    A 27ª Conferência do Clima das Nações Unidas - COP27 - reúne líderes globais entre os dias 6 e 18 de novembro. Neste ano, o evento está sendo realizado no Egito e levanta discussões sobre os temas que mais preocupam sobre o futuro ambiental do planeta e seus impactos para a sociedade e a economia. António Guterres, secretário-geral da ONU, destaca que a COP27 visa alcançar soluções climáticas capazes de responder à altura a escalada dos problemas ambientais. Além disso, a atual edição do evento leva em consideração o contexto da guerra na Ucrânia e seus impactos para a questão energética. No mais, a programação da COP27 irá abordar assuntos em destaque, como: De que forma os países estão reduzindo suas emissões de poluentes. Como os países se adaptam às mudanças climáticas e, assim, de que forma podem se ajudar. De que maneira é viável financiar o enfrentamento à deterioração climática e ambiental. Sobre a conferência do clima As COPs são as conferências climáticas mais importantes, reunindo lideranças globais políticas e civis a fim de promover discussões e encontrar soluções para a saúde do planeta. O ponto de partida foi a ECO-92, realizada em 1992, no Rio de Janeiro. Na ocasião, aliás, o Secretariado de Mudanças Climáticas da ONU foi criado. Diante dos resultados proporcionados pelo encontro, a ONU passou a realizar conferências anuais a partir de 1994. Em 2022, está acontecendo a 27ª edição do encontro - a COP27. Diversos documentos e tratados climáticos importantes foram desenvolvidos e compromissos foram firmados por muitos atores centrais da geopolítica mundial. O Protocolo de Kyoto, produzido durante a COP3 em 1997, e o Acordo de Paris, adotado em 2015 durante a COP21, por exemplo, guiam os esforços para limitar o aquecimento global e seus efeitos. De acordo com a importância da COP27, portanto, confira alguns dos principais assuntos em voga que estão sendo tratados no encontro e o que esperar da Conferência. Aproveite a leitura! A importância da política ambiental Um dos focos da COP27 está em estimular a vontade política em prol de uma atuação efetiva diante das alterações climáticas. Para isso, a conferência visa propor um pacto a fim de que os países desenvolvidos cumpram seus compromissos assumidos no Acordo de Paris e diminuam suas emissões. O Pacto de Solidariedade Climática proposto por Guterres implica no desenvolvimento de políticas ambientais com o objetivo de limitar, nesta década, o aquecimento global a 1,5ºC acima das temperaturas pré-industriais. Emmanuel Macron, presidente da França, cobrou que países ricos fora da Europa ajudem as nações mais pobres no enfrentamento às mudanças climáticas. Nesse contexto, o desenvolvimento de políticas ambientais deve levar em conta os impactos globais climáticos a partir das realidades internas de cada país. Além disso, essas iniciativas precisam incluir todos os setores da sociedade: governos, cooperativas, empresas mercantis, sociedade civil organizada e indivíduos. O incentivo institucionalizado à agenda ESG, por exemplo, é uma maneira de integrar diversos atores em prol da política ambiental. Mudanças climáticas No primeiro dia de conferência, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) publicou um documento que revela a força da transformação climática. Os dados revelados apontam que os últimos oito anos podem ter sido os mais quentes já registrados. A agência meteorológica da ONU explica que o período entre 2015 e 2018 registrou altas temperaturas e níveis recorde de concentração de gases causadores do efeito estufa. O estudo ainda prevê mais um aumento de temperatura em 2022. Assim, Petteri Taalas, diretor da OMM, alerta para os efeitos dessa tendência: “Quanto maior o aquecimento, piores os impactos. Temos níveis tão altos de dióxido de carbono na atmosfera agora que o 1,5°C do Acordo de Paris mal está ao nosso alcance”. Combate à crise climática passa pelo social Conforme destaca o Programa Mundial de Alimentos (PMA), a crise climática é responsável por deixar cada vez mais pessoas à beira da fome. Isso ocorre devido às ondas de calor, secas, inundações e tempestades que são agravadas pelas mudanças no clima. Diante disso, o PMA faz três recomendações para os líderes presentes na COP27: Ampliar a adaptação climática e as soluções para evitar, minimizar e abordar perdas e danos: líderes globais precisam investir em sistemas capazes de prever riscos climáticos e fornecer, também, proteção física e financeira aos mais vulneráveis. Afinal, fenômenos climáticos derivados do aquecimento global, como inundações, afetam a disponibilidade de alimentos. Investir em ação climática em comunidades com contextos frágeis: pessoas que vivem em áreas afetadas pelas mudanças climáticas também são frequentemente afetadas por conflitos, deslocamentos e desigualdades sociais. Portanto, essas comunidades precisam de apoio e investimento. Transformar os sistemas alimentares: o PMA avalia que a cadeia de produção, processamento e transporte de alimentos não é equitativa nem sustentável. Eventos climáticos destroem sistemas alimentares que, por outro lado, são grandes contribuintes para o aquecimento global. Por isso, esses sistemas devem ser mais diversos e menos poluidores. Desmatamento ilegal Uma das questões mais relevantes envolvendo o Brasil nas discussões climáticas diz respeito ao desmatamento ilegal. Durante a COP26, realizada na Escócia em 2021, o país se comprometeu a zerar o desmatamento ilegal até 2028. Contudo, desde então, a perda de vegetação seguiu crescendo, indicam os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Com isso, a meta fica mais distante e difícil de ser alcançada. O relatório Fazendo o bem no Pacto Climático de Glasgow revela que os compromissos firmados durante a COP26 em relação ao desmatamento não estão no ritmo ideal. O texto argumenta que os atuais mecanismos de financiamento climático florestal não recompensam a conservação e oferecem pouca resistência às pressões por desmatamento. Diante desse cenário, o Brasil está articulando a formação de uma aliança estratégica internacional com o intuito de coordenar esforços de conservação das florestas tropicais. A parceria com Indonésia e República Democrática do Congo reúne mais da metade - 53% - do total de área florestal tropical que resta no planeta. Energias renováveis O cenário imposto pela guerra na Ucrânia traz um protagonismo ainda maior para as discussões sobre as matrizes energéticas. A dependência do gás russo acendeu um alerta para que a Europa busque fontes alternativas e limpas de energia. Assim, esse contexto geopolítico resulta em um retrocesso perante os compromissos firmados por diversos países europeus. Todavia, tal situação pode servir de alerta para que as nações busquem a autossuficiência energética. Para tanto, a maneira mais eficaz é o investimento em energias renováveis. Portugal e Dinamarca, por exemplo, já estão caminhando nessa direção. O secretário-geral da ONU propõe, ainda, que países ricos e instituições financeiras internacionais forneçam fundos e apoio técnico para que as economias emergentes acelerem a implementação de energias renováveis. Guterres defende o fim da dependência de combustíveis fósseis e acabar com a construção de novas usinas de carvão. Além disso, o fornecimento de energia universal, acessível e sustentável para todos deve ser o objetivo das estratégias que unem os países desenvolvidos e emergentes em busca de benefícios para a humanidade. Brasil acima da média global O Brasil se destaca quando o assunto é energia renovável: a matriz energética brasileira apresenta um índice renovável de 84% perante aos 27% da média mundial. Neste ano, a produção de energia solar e eólica alcançou valores recorde de forma que, somadas, elas são suficientes para fornecer energia limpa para mais de 40 milhões de brasileiros. O cooperativismo faz parte desse movimento. O Radar da Inovação, por exemplo, contou a história da parceria entre Certel e Sicredi em prol da produção de energia limpa e renovável. O projeto “A Energia que nos une” resultou na hidrelétrica Vale do Leite. Confira essa história clicando aqui. Mercado de carbono Outra pauta amplificada pela presença brasileira na COP27 é o mercado de carbono. Na conferência de 2021, muitas discussões se deram em torno de como os créditos de carbono podem ajudar no cumprimento dos planos para mitigação das mudanças climáticas. Agora, a regulamentação e os mecanismos desse mercado devem ser definidos. O Brasil deve ficar de olho no desenvolvimento desses temas devido ao potencial econômico desse mercado. Um estudo do ICC Brasil, representação nacional da International Chamber of Commerce, estima que o mercado de carbono pode gerar receitas de até US$ 100 bilhões no país. Um relatório da ONU indica que a maior parte dos países está atrasada em relação a seus compromissos de reduzir emissões de carbono. Portanto, o potencial desse mercado é crescente. No cooperativismo, esse mercado já é explorado, sobretudo por coops rurais. Uma regulamentação adequada pode potencializar ainda mais essa atividade. Além disso, a primeira cooperativa dedicada a negociar créditos de carbono foi criada na caatinga pernambucana. O que esperar da COP27 A COP27 protagoniza o início de uma nova fase de balanço e implementação do Acordo de Paris, assinado em 2015. Agora é o momento dos países entregarem planejamentos concretos sobre de que maneira irão cumprir na prática as metas que estabeleceram para alcançar o objetivo de limitar o aumento da temperatura. As negociações entre países ricos e pobres em prol do financiamento para as adaptações sustentáveis devem permear grande parte das discussões da COP27. Mais do que isso, o Sul Global requer uma compensação financeira em reparação aos danos causados por séculos de emissões de carbono por parte das economias desenvolvidas. O Sistema OCB marca presença na COP27. Marcio Lopes de Freitas, presidente do Sistema OCB, coordena um painel sobre a importância das cooperativas para o agro sustentável, de forma a valorizar as ações do ramo. Para ilustrar esse cenário, participam do encontro as cooperativas Coopercitrus (SP) e CCPR (MG) com bons exemplos em energia renovável e em gestão sustentável. “Além disso, as cooperativas Cocamar (PR) e Coplana (SP) mostram iniciativas de agricultura de baixo carbono, através de mudança nos sistemas de produção e mecanismos financeiros para preservação ambiental”.

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    Inteligência de Mercado 03/11/2022
    ESG: o que é e por que é importante para os negócios

    A onda ESG está se tornando cada vez mais preponderante no mundo dos negócios. Isso acontece porque diferentes públicos de interesse - cooperados, clientes, investidores e colaboradores, por exemplo - estão demandando sustentabilidade, impacto social, e conduta ética. Diante dessa tendência, o ESG tornou-se palavra-chave importante nos debates sobre negócios. No cooperativismo, isso não é diferente, tendo em vista que muitas das ideias do ESG estão na essência das cooperativas. Mas o que significa a sigla ESG, afinal? O termo, criado na publicação Who Cares Wins, reúne três pilares que agregam responsabilidades e propósitos aos negócios. Assim, esse tripé é formado por: Environmental (ambiental): são as práticas corporativas que concernem à conservação do meio ambiente. Portanto, esse pilar engloba temas como poluição da água e do ar, consumo de energia, eficiência na produção, mudanças climáticas, desmatamento e emissão de carbono. Social (social): é como a instituição atua no relacionamento com as pessoas e a comunidade ao seu redor. Estão inclusos, assim, assuntos como promoção de diversidade na equipe, programas de desenvolvimento socioeconômicos, respeito às normas trabalhistas, proteção de dados e privacidade. Governance (governança): princípios aplicados na administração. Envolve o relacionamento com governos, políticos e poder público, efetividade de ouvidoria, disponibilização de um canal de denúncias, composição do conselho, estruturação do organograma e transparência. Neste artigo, vamos entender como o ESG afeta os negócios, como as cooperativas podem atuar para potencializá-lo e a importância de estabelecer métricas. Aproveite a leitura! Como o ESG afeta os negócios Os investimentos em ativos globais ESG nos negócios estão em alta. Tanto que eles devem ultrapassar US$ 53 trilhões até 2025, representando mais de um terço dos US$ 140,5 trilhões em ativos totais sob gestão projetados. Segundo análise da Bloomberg Intelligence, o cenário criado pela pandemia e a recuperação verde nos EUA, União Europeia e China vai evidenciar a força do ESG. A partir desse cenário, o ESG poderá ajudar a avaliar novos riscos financeiros e controlar mercados de capitais. Ademais, iniciativas condizentes com os pilares do ESG têm o potencial de causar impactos marcantes nos negócios: Geração de valor Propostas ESG são capazes de gerar resultados financeiros positivos por meio da criação de valor, argumenta a consultoria McKinsey. Para tanto, há cinco elos que representam as formas com que o ESG é capaz de agregar valor e, consequentemente, impulsionar os negócios: Crescimento de receita: dados indicam que iniciativas de ESG têm a capacidade de conquistar as preferências de clientes. Por exemplo, mais de um terço dos consumidores globais aceitam pagar mais caro por produtos sustentáveis. Redução de custos: a eficácia das iniciativas ESG apoia a redução de custos operacionais relacionados a elementos como água, carbono e matérias-primas como um todo. Dessa maneira, o lucro operacional pode ser positivamente afetado por essas atitudes. Redução de intervenções regulatória e legais: políticas ESG consistentes auxiliam a diminuir o risco de a cooperativa ser alvo de ações governamentais. Pelo contrário, é possível angariar suporte do poder público, o que alivia pressões regulatórias e abre oportunidades para a busca de subsídios e linhas de crédito condicionadas à sustentabilidade e ao impacto social. Aumento da produtividade: a coerência da proposta ESG ajuda a atrair e reter talentos qualificados, aprimora a motivação dos colaboradores inspirados pelos propósitos organizacionais e, ainda por cima, melhora a produtividade geral. Otimização de ativos e investimentos: políticas corporativas conscientes podem melhorar os retornos sobre investimentos. Isso é possível por meio da alocação de recursos em oportunidades promissoras e sustentáveis. Perspectivas de ampliação O mercado de investimentos em ESG não para de crescer e as previsões indicam que essa tendência ainda vai não só perdurar, mas acelerar. Conforme números do Banco Central, a emissão de “dívidas verdes” - ou seja, títulos relacionados à sustentabilidade - disparou entre 2020 e 2021. A emissão de dívida sustentável ainda é liderada pela Europa. No entanto, cada vez mais emissores asiáticos, norte-americanos e latino-americanos estão emergindo. Dessa forma, percebe-se que o mercado está ativamente privilegiando iniciativas que prezam pelos princípios do ESG. Em virtude desse crescimento, cooperativas que integram esses pilares têm acesso a uma gama mais ampla de oportunidades para expandir os negócios. O ESG também é uma ferramenta importante para as coops que querem ampliar a atuação para outros países. Diversos países e blocos econômicos estão apertando as regulações, exigindo certificações que asseguram práticas condizentes com o ESG. Obrigatória na União Europeia, por exemplo, a Marcação CE leva em conta a proteção ambiental. Demandas dos públicos de interesse O consumo consciente e a agenda ESG estão entre as principais tendências no mundo dos negócios. Tradicionalmente, a lógica de consumo se baseia no atendimento das necessidades imediatas dos usuários, mas essa dinâmica está mudando. Agora, por outro lado, o público está ficando atento ao desperdício de recursos naturais, impactos nas emissões de poluentes e condições de trabalho dos empregados. Liderado pelos millennials e pela geração Z, esse movimento interfere também na forma com que governos, órgãos reguladores e atores gerais do ambiente econômico lidam com essas questões. Segundo a Deloitte, com efeito, 90% dos membros dessas gerações afirmam que estão fazendo esforços para reduzir o impacto ambiental. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável compõem uma agenda global que tem como pilares: pessoas, planeta, prosperidade, paz e parcerias. Por isso, eles refletem de forma mais concreta os impactos e metas para nortear a atuação das cooperativas em suas iniciativas visando o ESG. Os ODSs são os seguintes: Erradicação da pobreza Fome zero Boa saúde e bem-estar Educação de qualidade Igualdade de gênero Água limpa e saneamento Energia acessível e limpa Emprego digno e crescimento econômico Indústria, inovação e infraestrutura Redução das desigualdades Cidades e comunidades sustentáveis Consumo e produção responsáveis Combate às alterações climáticas Vida debaixo d'água Vida sobre a terra Paz, justiça e instituições fortes Parcerias em prol das metas Esses objetivos ajudam a cooperativa a entender quais fatores podem ser impactados pela sua operação e, por consequência, como ela pode melhorar e contribuir para o desenvolvimento sustentável. No mais, segundo um guia proposto pelo Pacto Global das Nações Unidas, os ODSs ajudam as organizações a: Identificar oportunidades futuras de negócios; Valorizar a sustentabilidade corporativa; Fortalecer as relações com as partes interessadas; Investir em um ambiente social e propício aos negócios; Utilizar uma linguagem comum com uma finalidade compartilhada. Ações para potencializar o ESG A rápida ascensão da sustentabilidade na agenda global está conduzindo o mundo em direção a um novo conjunto de prioridades. Tanto que, nos próximos cinco anos, a expectativa é de que os investimentos em ESG dobrem. Diante desse cenário que se desenha para o futuro, nossa Análise econômica n° 57 lista cinco ações para potencializar o ESG nas cooperativas. Portanto, elas são: Envolvimento com as demandas das partes interessadas: os consumidores estão cada vez mais interessados por ações transparentes e, assim, cobram evidências de mudança. Responder interesse dos investidores e cooperados: os negócios que desejam ser atraentes para investidores devem ter o ESG como prioridade. Dominar a narrativa ESG: líderes devem pensar sobre as oportunidades disponíveis para diferenciar seus negócios perante a concorrência. Para isso, precisa definir seus valores, integrá-los à estratégia e divulgá-los com clareza e efetividade. Compreender os dados: os negócios precisam entender os dados dos riscos climáticos para que possam tomar as melhores decisões. É um pilar decorrente de praticar uma gestão data driven. Ter uma abordagem ampla: os negócios precisam inserir com sucesso os fatores do ESG nas decisões em todas as partes da organização. Isso passa tanto pelo desenvolvimento da estratégia quanto por sua execução. A importância das métricas Um dos principais desafios em relação à maturidade do ESG diz respeito à adoção de métricas e indicadores capazes de traduzir a efetividade das políticas de sustentabilidade. Um levantamento produzido pela Grant Thornton argumenta que, apesar do evidente aumento nas demandas por divulgação dos dados ESG, a aplicação de métricas e parametrizações não está estabelecida como deveria. Números da pesquisa realizada com empresas mercantis de capital aberto exemplificam a dinâmica: 33% delas ainda não adotam métricas quantificáveis a fim de analisar o desempenho do ESG em relação aos aspectos mais relevantes da organização. Pior ainda, 16% sequer possuem qualquer forma de mensuração. Por outro lado, somente 21% afirmam que monitoram indicadores regularmente. Já 11% dos respondentes avaliam o ESG apenas de forma qualitativa, sem previsão para adoção de metas específicas. Métricas setoriais Heiko Hosomi Spitzeck, diretor do núcleo de Sustentabilidade da Fundação Dom Cabral, avalia que “sem métricas a empresa não consegue medir o status quo dos seus impactos sociais e ambientais, nem definir metas de avanço”. Por isso, métricas são essenciais e devem ter como base a área de atuação da organização, argumenta. A lógica sugerida por Spitzeck sugere que, por exemplo, uma cooperativa agropecuária deva olhar os impactos ambientais de sua produção. De outra forma, uma coop de crédito pode focar em inclusão social e educação financeira. Divulgando informações O levantamento conclui, também, que as instituições precisam aprimorar a divulgação das práticas ESG. Apenas 43% das companhias divulgam informações sobre os fatores ESG de forma clara e recorrente e, ainda por cima, somente 23% delas utilizam um relatório de sustentabilidade específico. Em relação aos públicos de interesse que mais influenciam as decisões sobre divulgação de aspectos ESG, os clientes aparecem à frente dos investidores. Com isso, é possível enxergar uma maior relevância da opinião do público consumidor. As cooperativas, todavia, apresentam um público de interesse que não é representado pelo estudo: os cooperados. Contudo, um relatório da PwC sobre o ESG nas cooperativas de crédito indica que mais de 70% das coops avaliadas notaram que houve aumento no interesse dos cooperados pela contratação de produtos e serviços relacionados ao ESG. “As cooperativas de crédito têm sido cada vez mais demandadas pelos seus cooperados e demais partes interessadas a se posicionar de forma concreta, rápida e transparente quanto a sua atuação em relação aos pilares ESG”, explica Elisa Simão, uma das autoras do estudo. Cooperativismo e ESG O cooperativismo traz diversos princípios que se correlacionam com o ESG antes mesmo de o conceito ser desenvolvido. Afinal, o foco do movimento cooperativista são as pessoas e não o capital. Seu objetivo, portanto, é promover melhores condições de vida e renda aos seus cooperados. Tais características, por sua vez, impactam na valorização do meio ambiente e promoção do desenvolvimento local das comunidades nas quais as cooperativas estão inseridas. Assim, é possível delinear premissas do ESG que são intrínsecas ao modelo do cooperativismo. Iniciativas do ESG no coop Fabíola Nader Motta, gerente geral da OCB, explica que o objetivo do cooperativismo é promover melhores condições de vida para as pessoas. Isso passa pela valorização do meio ambiente e desenvolvimento das comunidades locais. O Sistema OCB também marcou presença na COP 26. Fabíola fez parte do painel com o tema “Cooperativismo como ferramenta para a economia de baixo carbono”. Lá, ela apresentou ao mundo parte do que as cooperativas brasileiras fazem para aliar produtividade e preservação ambiental. Além disso, InovaCoop produziu um artigo que se aprofunda e traz exemplos da relação entre cooperativismo e a agenda ESG, confira aqui. Conclusão O aumento da relevância do ESG reflete uma sociedade mais socialmente engajada, preocupada com o futuro da natureza e exigente em relação à ética corporativa. Todos esses fatores carregam impactos nos negócios e, por conseguinte, devem ser alvo de atenção das cooperativas. Para apoiar ainda mais o protagonismo do cooperativismo brasileiro no ESG, o Sistema OCB está lançando o programa ESGCoop. Ele terá como foco a competitividade e a sustentabilidade dos negócios cooperativistas. O ESGCoop nasce, também, com responsabilidades referentes à promoção da educação, o fomento ao desenvolvimento local, o combate e à adaptação à emergência climática e a promoção da diversidade. O programa funcionará, portanto, como uma plataforma que compreende esses desafios e busca suas soluções. Saiba mais sobre o ESGCoop no guia prático produzido pelo InovaCoop!

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    Mercado Internacional 27/10/2022
    Por que exportar e como o cooperativismo pode ser uma solução

    O mercado externo apresenta ótimas oportunidades para que as cooperativas possam expandir os negócios, aprimorar a competitividade de seus produtos e diversificar a carteira de potenciais clientes. Dessa maneira, a exportação se apresenta como grande aliada para o cooperativismo brasileiro - e as coops já estão atentas a isso. Com uma economia mundial cada vez mais globalizada, modernizada e integrada, as possibilidades mercadológicas se multiplicam e as fronteiras deixam de ser barreiras. Assim, a exportação cooperativista surge como uma maneira interessante de impulsionar os negócios. As exportações são muito importantes para a economia brasileira, pois promovem o ingresso de recursos do exterior, a geração de mais emprego e renda, a modernização dos produtos e o crescimento do parque industrial. Ocorre, também, o aumento no saldo positivo na balança comercial - diferença de valores entre o que o país importa e exporta. Além disso, o comércio exterior representa boa parte do faturamento para muitos negócios. E, cada vez mais, o cooperativismo está ganhando protagonismo nas exportações brasileiras. O Brasil no comércio internacional De acordo com a Organização Mundial do Comércio (OMC), o comércio mundial atingiu US$ 22,4 trilhões em 2021, indicando um aumento de 26% em relação ao ano anterior. Em termos de valores exportados no mundo, o principal país exportador foi a China com mais de US$ 3,3 trilhões, ou 15,1% de participação. O segundo e terceiro lugar no ranking dos maiores exportadores foram, respectivamente, os EUA (com US$ 1,7 trilhões) e a Alemanha (com US$ 1,6 trilhões exportados). Já o Brasil respondeu por 1,3% na movimentação global de exportações e importações. Mas os números estão melhorando. Esse percentual deixa o país na 25ª posição no ranking do comércio mundial - uma evolução em relação ao ano anterior. Ao todo, o país movimentou cerca de US$ 281 bilhões em exportações, com saldo superavitário das vendas ao exterior em quase US$ 61 bilhões - ou seja, o Brasil exportou mais do que importou em 2021. O bom desempenho do comércio exterior brasileiro foi resultado da retomada após os impactos da pandemia de Covid-19 e da alta nos preços internacionais das commodities. Dessa maneira, o mercado exterior mostra potencial de continuar a tendência de crescimento nos próximos anos. Portanto, expandir os horizontes pode ser um bom negócio - e se for por meio do cooperativismo, melhor ainda. Neste artigo, iremos explicar por que o cooperativismo é um modelo interessante para quem quer exportar, mostraremos a participação das cooperativas no comércio exterior brasileiro e conheceremos exemplos inspiradores de coops que exploram o mercado externo com sucesso. Boa leitura! Por que exportar é importante A internacionalização, quando bem planejada e executada, é uma decisão estratégica que contribui para o desenvolvimento da cooperativa e a solidez de seus negócios. Quando exporta, a cooperativa adquire um diferencial de qualidade, pois precisa elevar o patamar de seus produtos aos padrões do mercado externo. No ConexãoCoop, já mostramos que as certificações são essenciais para vender em outros países, por exemplo. Além disso, a atuação no comércio exterior tem impactos na modernização da cooperativa. Afinal, para manter a competitividade em ambientes em que a concorrência é global, a cooperativa precisa manter altos níveis de qualidade, eficiência e planejamento. Essa máxima vale tanto para a operação produtiva quanto para a gestão. Os avanços tecnológicos que possibilitam comunicações imediatas com as mais variadas regiões mundo afora potencializam as negociações internacionais. Para tanto, é importante saber como negociar com clientes internacionais. Benefícios das exportações O Portal Siscomex, criado pelo Governo Federal com o objetivo de reduzir a burocracia, o tempo e os custos nas exportações e importações brasileiras, lista alguns benefícios decorrentes das exportações: Aumento de produtividade: quando começa a exportar, a cooperativa precisa aumentar sua produção tanto em termos quantitativos quanto qualitativos. Consequentemente, cresce a capacidade de negociação para compra de matéria-prima. No fim, os custos de produção caem, aumentando a competitividade dos preços. Globalização e expansão de mercado: a estratégia de destinar parte da produção ao mercado externo permite a ampliação da base de clientes. Isso significa a diversificação comercial e redução do risco de dependência de certos clientes. Aprimoramento de processos e gestão: ao aderir à exportação, a cooperativa também adota uma série de melhorias. Elas são, por exemplo, novos padrões gerenciais, tecnologias inovadoras, formas de gestão modernas, qualificação da mão de obra e agregação de valor à marca. Diminuição da carga tributária: a partir de um dos princípios mundialmente aceito de não exportar tributos, o Brasil desonera os tributos nacionais nos processos de exportação. Isso torna a cooperativa exportadora mais competitiva no mercado internacional. Vantagens de exportar como cooperativa Vimos, portanto, que exportar pode ser um ótimo negócio. Por que, então, fazê-lo por meio do modelo cooperativista pode ser uma ideia ainda melhor? Explicamos isso no volume IV da nossa série de e-books sobre exportação. Confira os maiores benefícios que o modelo cooperativo pode proporcionar na hora de exportar: Investimentos compartilhados: cooperativas contam com uma rede de apoio maior para realizar investimentos voltados à exportação. Isso ocorre porque esses custos são compartilhados entre todos os cooperados. Escala: o excedente - a capacidade instalada ociosa de cada cooperado - importa, ainda que seja pequena. Afinal, é exatamente a junção dessa capacidade ociosa ou desse excedente dos muitos cooperados que resultará no montante suficiente para a exportação. Padronização: aplicação prática do quinto princípio cooperativista. Investindo constantemente na educação, formação e informação de todos os cooperados, mantém-se o mesmo padrão e qualidade de produção. Dessa forma, a cooperativa evita que os produtos sejam inconsistentes entre si. Gestão democrática: as cooperativas também desfrutam de um modelo de gestão democrática pautado pelo compartilhamento de responsabilidades no processo de tomada de decisões. Assim, os cooperados definirão em conjunto as estratégias de acesso ao mercado internacional. As exportações e o cooperativismo brasileiro O Sistema OCB e a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Exportações e Investimentos) mantêm uma parceria com o intuito de impulsionar a participação das cooperativas nas exportações. Os dados mostram que, embora as coops estejam galgando espaço no mercado internacional, ainda há grande potencial para crescer. Os números compilados na Análise Econômica N° 49: As Exportações e o Cooperativismo ajudam a entender melhor esse cenário. Desde 2016, o crescimento anual no número de cooperativas que exportam é, em média, 6,6%. Isso demonstra que muitas coops estão descobrindo os benefícios de negociar com clientes internacionais. Contudo, no ano de 2020, somente 6,26% das cooperativas brasileiras exportaram seus produtos. Ainda assim, a exportação já é capaz de fazer a diferença não só para os negócios das cooperativas, mas também para as comunidades em que elas estão inseridas. Para se ter uma ideia, em 2020, o cooperativismo foi responsável por 100% das exportações de 74 municípios brasileiros. Dados da exportação cooperativista Em 2020, esses foram os cinco produtos mais exportados pelas cooperativas brasileiras, demonstrando a força do ramo agropecuário: Frango in natura: US$ 1,5 bi (crescimento média anual de 11,1%) Soja: US$ 1,3 bi (crescimento médio anual de 22,4%) Café cru: US$ 840,3 milhões (crescimento médio anual de 4,3%) Suíno in natura: US$ 791,7 milhões (crescimento anual de 23,3%) Farelo de soja: US$ 502,1 milhões (crescimento médio anual de 6,5%) Além disso, os três principais destinos para as exportações realizadas pelas cooperativas brasileiras foram: China: US$ 2,4 bilhões Países Baixos: US$: 365,6 milhões Alemanha: US$ 313,4 milhões Como se vê, a China é um ator preponderante para as exportações do cooperativismo brasileiro. O país asiático proporciona diversas oportunidades de negócios. Neste artigo produzido em parceria com a professora Tatiana Prazeres, explicamos por que é importante ficar de olho na ascensão chinesa. Exemplos de sucesso na exportação cooperativista No quarto volume de nossa série sobre exportação, também contamos duas histórias inspiradoras de cooperativas que obtiveram bons resultados no comércio internacional. Coplana: processos e certificações para o sucesso Localizada na região de Guariba, em São Paulo, a Coplana exporta amendoim para cerca de 40 países, distribuídos pela África, Américas, Europa e Oceania. A cooperativa exporta amendoim selecionado com a marca Coplana Brazilian Premium Peanuts, marcando presença na União Europeia, uma das regiões mais exigentes do mundo. Isso é possível devido às certificações de qualidade obtidas pela Coplana. A coop atende, com nota máxima, às rígidas regras da certificação internacional British Retail Consortium (BRC), por exemplo. Ademais, a preocupação com boas práticas de ESG também é um diferencial. Para divulgar seu produto ao mercado externo, a Coplana participa de grandes feiras internacionais na Áustria, Espanha, Grécia, Alemanha, Itália, entre outros. As feiras internacionais também podem representar uma importante porta de entrada ao mercado externo. Os números comprovam que a estratégia deu certo. A produção de amendoim em casca na safra 2019/2020 atingiu 85.714 toneladas. Já as exportações, em 2019, chegaram a 28.898 toneladas. Consequentemente, entre abril de 2019 e abril de 2020, o faturamento líquido total da cooperativa foi de, aproximadamente, R$ 600 milhões. Unium: intercooperação e exportação ajudam a superar crise A paranaense Unium é fruto da intercooperação entre as cooperativas agropecuárias Frísia, Castrolanda e Capal. A iniciativa vem proporcionando aumento anual de cerca de 20% no faturamento conjunto nos segmentos de lácteos, suínos e trigo. Boa parte desse sucesso tem a ver com a capacidade de exportar. Após perder 30% do mercado interno devido à pandemia de Covid-19, a Unium focou nas oportunidades proporcionadas pelo mercado internacional. A ideia deu certo: custos redundantes foram eliminados e o faturamento cresceu, compensando as perdas e oxigenando as finanças do trio. A iniciativa de intercooperação deu origem a marcas com finalidades distintas. Dentre elas, a Alegra, marca de carne suína que nasceu com foco na exportação. Até antes da criação da Alegra, em 2017, a exportação das cooperativas chegava a 25 países. Em 2020, a carteira de clientes internacionais já contava com 1.550 de 32 países na América do Sul e Central, África, Oriente Médio, Europa e Ásia. Esses resultados mostram que a exportação pode fazer a diferença nos negócios. Nota-se, ainda, que o sucesso dessa iniciativa carrega estruturas e princípios intrinsecamente ligados ao cooperativismo. Conclusão Quando uma cooperativa exporta, ela faz a diferença em duas frentes. Ao mesmo tempo em que supre demandas globais, também contribui para a economia local e o desenvolvimento regional. Dessa maneira, exportar por meio das cooperativas é uma atividade que fortalece a economia brasileira, traz riqueza ao país e solidifica o modelo de negócios cooperativista. No mais, a entrada das cooperativas no comércio internacional traz benefícios diretos para o empreendimento, como o aumento do faturamento e a melhoria dos processos de gestão. Quer saber mais sobre exportação no cooperativismo? Confira, também, os outros três e-books da série exportação: Volume I: Primeiros Passos Para Exportação Volume II: Estratégia Comercial e Marketing Para Exportação Volume III: Questões Operacionais Para Exportação Quer saber mais sobre exportação? O Sistema OCB preparou um curso EAD com o passo a passo para você preparar sua coop. Para acessar basta clicar aqui.

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